terça-feira, 2 de agosto de 2011

Pra colar na geladeira.

"No início tudo parecia engraçado: havia se divertido muito, vivendo perigosamente, se arriscando ao extremo, enriquecendo com investimentos de longo prazo e altas taxas de retorno e, no geral permanecendo vivo enquanto os outros morriam.
Contudo, no final foram as tarde de domingo que se tornaram insuportáveis: aquela sensação de não ter absolutamente nada para fazer que se instala em torno das 14h55, quando você sabe que ja tomou um número mais que razoável de banhos naquele dia, quando sabe que, por mais que tente se concentrar nos artigos dos jornais, você nunca conseguirá lê-los nem colocar em prática a nova e revolucionária técnica de jardinagem que eles descrevem, e quando sabe que, enquanto olha para o relógio, os ponteiros se movem impiedosamente em direção as 16h e logo você entrará no longo e sombrio entardecer da alma.
A partir daí as coisas começaram a perder o sentido. Os sorrisos alegres que costumava distribuir em funerais dos outros começaram a sumir. Aos poucos, começou a desprezar o Universo em geral e cada um de seus habitantes em particular.
Foi então que concebeu seu objetivo, aquilo que o faria prosseguir para todo o sempre. Era o seguinte:
Iria insultar o Universo."



Obrigada Douglas Adams por ilustrar os últimos meses e os próximos meses e os meses depois dos próximos meses.

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