quarta-feira, 30 de março de 2011

Amor.

"No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha — com persistência, continuidade, alegria. O que sucedera a Ana antes de ter o lar estava para sempre fora de seu alcance: uma exaltação perturbada que tantas vezes se confundira com felicidade insuportável. Criara em troca algo enfim compreensível, uma vida de adulto. Assim ela o quisera e o escolhera."


LISPECTOR, Clarice. Laços de Família. Rio de Janeiro. Rocco, 2001.

And sometimes you close your eyes

and see the place where you used to live...



... when you were young.

terça-feira, 29 de março de 2011

Uma vida colgate.

12 problemas existenciais? Não em uma pessoa saudável.

Como tornar-se irrelevante antes dos 20.

Por Ana C. Marques.


Começo com o prólogo. Sem agradecimentos. Sigo para o capítulo 1 entitulado 'Seja invisível', onde ensino as técnicas iniciais. Trabalharei com o segundo e o terceiro capítulo com cautela, sendo eles 'Preguiça, minha melhor amiga' e 'Não defendo idéias' respectivamente.

WARNING: SE O LEITOR NAMORA, NÃO DEVE SEGUIR PARA O CAPÍTULO 4. E SE SEGUIR, O AUTOR NÃO SE RESPONSABILIZA POR DANOS POSSIVELMENTE CAUSADOS. ESSA FASE DO LIVRO É ALTAMENTE RECOMENDADA PARA PESSOAS CUJO CORAÇÃO ENCONTRA-SE EM ESTADO VEGETATIVO QUASE PARANDO. DADO OS AVISOS, CONTINUAMOS.

Capítulo 4: 'Afeto a.k.a morte' Neste capítulo mostro como o afeto estraga tudo. Seguimos para o quinto capítulo 'Regras da indiferença'. Considero esse capítulo como o mais interessante e importante. Tornando-se indiferente com tudo e todos, o leitor receberá em troca desprezo, falta de consideração e é lógico, indiferença. Quinto e último capítulo: 'SEASON FINALLE: Saiba se você é ou não irrelevante'. Para encerrar, elaborei um quiz com perguntas básicas, como por exemplo 'O QUE VOCÊ FEZ NA SEXTA FEIRA PASSADA?' As respostas deverão ser baseadas verdadeiramente em seu cotidiano. SEM MENTIRAS.

do not

Estava tudo sob controle até eu ler. Eu estava tranquila. Tinha até molhado as plantas e fumado só um cigarro. Eu queria ter pego o meu livro e saido andando como se nada estivesse sendo bombardeado dentro de mim. Mas foi exatamente ao contrário.

quinta-feira, 10 de março de 2011

O ato de desistir e ser mal compreendido.

Numa mesa de bar, comentei que ia desistir.

- Porque?
- Não dá mais.
- Para de ficar fugindo de tudo. Para de dar as costas pros seus problemas.
- E quem falou em fugir? Quem falou em dar as costas? Só vou deixar como está. Sem lutar.
- Coisa de gente fraca, isso sim. Mais duas cervejas.
- As vezes é preciso desistir.
- Mas ela não quer.
- Ela não quer muitas coisas. Tem isqueiro?
- Inventando desculpas para desistir. Típico.
- Você não sabe como dói... você...
- ...
- Esquece.

O último livro da segunda prateleira.

Esse livro conta a história de um homem sortudo. Não derivava de família rica e nem tampouco possuia bens valiosos, mas o que o fazia sortudo mesmo eram as oportunidades que lhe batiam a porta.
Mas por algum motivo, ele não pedia para a oportunidade entrar e ficar a vontade enquanto passava um café. O homem simplesmente dava as costas, como se a oportunidade fosse um vendedor ambulante chato oferecendo um produto inútil. A verdade é que o homem ja estava acostumado com ela lhe batendo sempre a porta, sempre com uma proposta diferente. Mas em uma manhã de janeiro, ele não ouviu sua campainha tocar. E ficou se perguntando o porquê.
Dias como esse se repetiram por muito tempo. O homem, ja velho olhou a sua volta. Nada. Nada além de um antigo sortudo.

quarta-feira, 9 de março de 2011

O porquê das unhas roídas.

O perfume natural que seu cabelo exala as vezes vem me lembrar, sem compromisso, que não se pode insistir em algo que cada célula do seu corpo sabe que não vai dar certo. Teu semblante ainda me enfia borboletas goela a baixo. Mas chega, chega. Este é o meu limite. Não faço por ti, faço por mim.
E agora, essa sou eu. Questionando a vida e olhando para todos os lados. Com uma xícara na mão esquerda e roendo as unhas da mão direita.

domingo, 6 de março de 2011

Sobre destruir sonhos e reunir antipatias.

Quando a pessoa acaba falando verdades que não deveriam ser ditas, por motivos de conflito existencial.
Um vazio com razão indefinida, mas do tamanho do mundo. O meio sorriso ja não convence mais. Fingindo que gosta das coisas para agradar, mas não sendo agradada por ninguem.
Já se acomodou, mesmo sabendo que isso é ruim. Não corre atras de nada, não liga pra ninguem. Lhe falta estímulo. Lhe falta um abraço no meio da tarde. Lhe falta um beijo no rosto. Lhe falta amor.

Uso oral.

Quando remédios fazem mais sentido que viver uma vida normal.

sábado, 5 de março de 2011

Iris ♥

Iris ♥

Segunda feira.

Quando eu te peço um pouco é porque eu quero tudo que pode me dar.
Quando eu te peço pra esquecer é porque eu quero te fazer lembrar de tudo que passou.
Quando eu te digo que eu não penso é porque eu não paro de pensar.
Quando eu tento me esconder é porque eu só quero te mostrar o que eu ainda sou.

Forever alone.

As ruas estão vazias e o céu da cor do asfalto. Mas se você forçar os olhos, dá pra ver no fim da rua uma melancolia ambulante com um guarda-chuva amarelo.

Que belo dia para...

Quem eu quero enganar? Hoje eu acordei vomitando mágoa.

15:57

Fica. Eu nunca montei um cubo mágico, mas tenho um cobertor que cabe dois.
Sua incerteza é tão ordinária. Te falta senso de tudo. Me sobra sentimento.
Cria a dor, cria e atura.
Se eu pudesse desfazer tudo de errado entre nós e apagar cada lembrança sua que ainda existe em mim. Eu sei que nada que eu diga vai trazer o longe pra mais perto de mim dessa vez. Porque gostar de alguém vai ser sempre assim, irreversível.

Ilusionismo.

Isso é sacanagem disfarçada de afeto.